PSOL – Partido Socialismo e Liberdade

Ação Popular Socialista

Divisão da APS (2012-2013)

Após diversas polêmicas envolvendo as campanhas da Ação Popular Socialista na cidade Belém e Macapá, além de divergências quanto ao caráter e papel de uma corrente comunista no atual estágio da luta de classes, o projeto político da APS passou a ser contestado dentro e fora da corrente, chegando ao ponto da corrente ser divida em três.

  1. APS-Corrente Comunista, reúne a maioria dos quadros públicos, parlamentares e dirigentes partidários e dos movimentos sociais. É liderada pelos deputados federais Ivan Valente e Edmilson Rodrigues, e pelo presidente nacional do partido, Juliano Medeiros.
  2. APS-Nova Era – reúne a minoria da militância orgânica da corrente e tem menor relevância nos movimentos sociais e pouca presença institucional. É liderada por Zilmar Alverita; pelos vereadores Hilton Coelho e Fernando Carneiro; pelo cientista político Jorge Almeida; e pela ex-Deputada capixaba, Brice Bragato. Fazem parte do chamado “Bloco de Esquerda” (minoria) e tem alianças prioritárias com grupos trotskistas. [Tese]
  3.  Coletivo Rosa Zumbi, que internamente está alinhada com a Unidade Socialista, campo que dirige o PSOL, estando próximo da APS-CC.

Coletivo Primeiro de Maio

A corrente existe majoritariamente no estado de São Paulo, principalmente em Sorocaba, Limeira, Santos, São Paulo, Votorantim, Sumaré e Campinas. Tem atuação no DCE e no sindicato dos funcionários da UNICAMP e também forte atuação na área da saúde. Um dos dirigentes mais notáveis da corrente é o deputado estadual por Sorocaba Raul Marcelo. No movimento sindical, a organização atualmente não está filiada a uma central sindical; apenas atua na corrente Vamos à Luta (não confundir com o coletivo estudantil de mesmo nome, também ligado ao PSOL). No movimento estudantil, organizam-se no coletivo Enfrente! Juventude em Movimento!, além disso, há três coletivos auto-organizados ligados ao 1º de Maio, sendo o LGBT Cores, o Feminista Rosa Lilás e o de Negros e Negras Raízes da Liberdade.

O Primeiro de Maio atualmente compõe o Bloco de Esquerda – BE, agrupamento que reúne as correntes contrárias a atual direção nacional do PSOL (grupo conhecido como Unidade Socialista – US). Durante o IV Congresso do partido, a corrente apoiou, junto com outras forças politicas do BE, o nome de Luciana Genro (do MES) como pré-candidata à presidência da república, em contraposição ao nome do senador Randolfe Rodrigues da US. Após a vitória da Unidade Socialista, o 1º de Maio, assim como o MES, passa a aceitar o nome de Randolfe (que meses depois desistiu da pré-candidatura).

Coletivo Resistência Socialista

CRS escreveu contribuições para o 4º e 5º Congressos (2013 e 2015) e é uma das correntes radicais pequenas que compõe o chamado Bloco de Esquerda, ala do partido que se opõe a atual direção nacional formada pelo bloco Unidade Socialista (US) e às suas práticas. Entre os membros mais notáveis do CRS está a professora Sônia Meire, candidata em 2014 a governadora de Sergipe pelo PSOL e pela Frente de Esquerda, que conseguiu 4,16% dos votos.

No movimento sindical, o CRS através da coletivo Alicerce Sindical, grupo que compõe a central sindical CSP-Conlutas e dentro dela costuma unir-se com as outras correntes do PSOL na defesa de teses congressuais. No movimento estudantil, o CRS impulsiona o coletivo Alicerce Juventude, que também reúne militantes do extinto coletivo Jornal Germinal e que não compõe formalmente nem a União Nacional dos Estudantes (UNE) nem a Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL), apesar de comparecer aos congressos de ambas entidades como observador.

Corrente Socialista dos Trabalhadores

Oriunda da antiga Convergência Socialista, atuava no PT. É filiada à Unidade Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI). Possui o periódico mensal Combate Socialista. A CST, que compõe o Bloco de Esquerda, acusa a Unidade Socialista de igualar o PSOL aos partidos do sistema.

A CST é a seção no Brasil da Unidade Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI) e seus figuras públicas mais conhecidos são o paraense João Batista Oliveira de Araújo “Babá” (ex-deputado federal pelo Pará e vereador no Rio de Janeiro a partir de fevereiro de 2015), o sindicalista Pedro Rosa (candidato a senador no Rio de Janeiro em 2014, com 137.652 votos), a professora Bárbara Sinedino (Coordenadora Geral do SEPE – Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ) e a argentina Silvia Santos (membra da Executiva Nacional do PSOL).

Um pouco antes da eleição presidencial de Luis Inácio Lula da Silva, a CST já considerava o rompimento com o PT, por discordar dos rumos tomados pelo partido. A ideia se concretizou após a expulsão do então deputado Babá, dirigente da CST, por esse não concordar com a Reforma da Previdência imposta pelo PT. A partir de então, junto com outras organizações da esquerda radical oriundas do PT, como o Movimento Esquerda Socialista (MES), e com outras cisões mais recentes do PSTU, como o Coletivo Socialismo e Liberdade (CSOL), a CST impulsionou a criação do PSOL, que obteve registro em 2005.

A CST publica o periódico mensal Combate Socialista. A organização atua no movimento sindical através da corrente “Combate – Classista e pela base” e no movimento estudantil através do “Coletivo Vamos à Luta

Fortalecer o PSOL

É um dos setores que atualmente compõem a direção majoritária conhecida por Unidade Socialista (US). No movimento sindical organizam-se na central INTERSINDICAL – Central da Classe Trabalhadora e no movimento estudantil organizam-se como Movimento Contestação. Seus principais nomes são, Bernadete Menezes, Mario Azeredo, Everton Vieira, Arlei Medeiros, Francis Mendes, André Trindade, Ricardo Saraiva (Big) e Gilberto Maringoni (candidato a governador pelo estado de São Paulo nas eleições de 2014).

No IV Congresso, em 2013, o Fortalecer o PSOL, junto com a APS e com outros agrupamentos, assina a tese “Unidade Socialista por um PSOL Popular”, que reivindica a atual direção partidária. Ao final do Congresso, muito disputado, o campo Unidade Socialista derrota o auto denominado Bloco de Esquerda – BE.

Teses assinadas pelo Fortalecer o PSOL para congressos nacionais do partido
  • I CNPSOL (2007): “Por um Brasil socialista e sustentável”
  • II CNPSOL (2009): “Uma alternativa popular, ecológica e socialista para o Brasil”
  • III CNPSOL (2011): “Fortalecer o PSOL: Por um Brasil democrático, ecológico e socialista”
  • IV CNPSOL (2013): “Unidade Socialista por um PSOL Popular”

Insurgência

Surgiu em outubro de 2013 a partir da fusão de outras correntes da sigla (CSOL, Enlace e CLV), anunciada no “Manifesto por uma nova corrente revolucionária”. Seus membros mais notáveis são Renato Roseno, Fernando Silva “Tostão” e João Alfredo. A corrente publica a revista À Esquerda. No movimento sindical organizam-se tanto na INTERSINDICAL como na CSP-Conlutas. Dentro do PSOL, a corrente compõe o chamado Bloco de Esquerda (união entre as correntes que discordam da atual direção do partido e que, após o seu IV Congresso (dezembro de 2013), já constitui metade da sigla).

Em fevereiro de 2014 a Insurgência oficializou o lançamento da pré-candidatura do Renato Roseno à presidência da República, por entender que faz-se necessária uma Conferência Eleitoral para decidir qual será o nome indicado pelo PSOL ao cargo, visto que o Congresso Nacional de 2013 foi palco de fraudes que inviabilizam o debate democrático dentro do partido.

Recentemente a Insurgência passou por um racha, onde se dividiu em 3 diferentes organizações.

Apos a atual crise politica do Brasil a Insurgência passou por um grande racha onde dela nasce 4 organizações, que continuam seguindo os princípios de de Karl Marx, Leon Trotsky e Ernest Mandel. Sendo este os novos agrupamento que se originaram no interior da Insurgência:

  • Insurgência – Um setor manteve o nome original que é liderada Renato Roseno.
  • Comuna – que é liderado por João Machado e Flávio Sofiatti.
  • Subverta – Liderada por Talíria Petrone, deputada federal [RJ], e o deputado estadual do PSOL [RJ] Flávio Serafini.
  • Facção Comunismo e Liberdade um agrupamento surgido da crise da Insurgência.

Liberdade, Socialismo e Revolução

O Coletivo Liberdade Socialista (CLS), por sua vez, originou-se de uma ruptura do Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) reunindo alguns quadros com origem também no PSTU.

A unificação que deu origem à LSR abriu caminho para uma expansão nacional da organização em diferentes frentes de atuação. Os membros da LSR atuam em diversas frentes, incluindo escolas, fábricas, locais de trabalho não industriais e bairros, se organizando contra os abusos do governo. Eles são ativos também dentro do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – no qual a LSR existe como uma das tendências –, nas organizações de massas da classe trabalhadora e da juventude, nos sindicatos, na Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), nas associações locais de trabalho, nos grêmios estudantis, centros acadêmicos e diretórios centrais. Defendendo a unificação das lutas e ligando as demandas imediatas com a luta contra o capitalismo.

Movimento Esquerda Socialista (MES)

Oriunda da antiga Convergência Socialista, o MES entra no PSOL e torna-se a segunda maior tendência interna, atuando inicialmente próximo à Senadora Heloisa Helena e ao MTL. Defendia posições mais moderadas, inclusive a aliança com o PV, que ocorreu nas eleições de 2008, em Porto Alegre. Desde o II Congresso disputa com a APS o controle do partido. Compõe o Bloco de Esquerda.

Entre seus membros mais notáveis estão a ex-candidata a presidência da república e deputada estadual Luciana Genro do Rio Grande do Sul, as deputadas federais Sâmia Bomfim de São Paulo e Fernanda Melchionna do Rio Grande do Sul, os vereadores de Porto Alegre Roberto Robaina e Prof. Alex Fraga, o jornalista e vereador do Rio de Janeiro David Miranda e o deputado estadual potiguar Sandro Pimentel . A corrente atualmente atua no movimento sindical através da central CSP-Conlutas.

A partir de 2010, o MES se distancia do MTL por divergências na análise da conjuntura e na construção partidária. Em 2012, CST e MES saem na mesma chapa do III Congresso Nacional do PSOL, sendo novamente derrotado pelo setor majoritário do partido, encabeçado pela Ação Popular Socialista.

Bloco de Esquerda

No mesmo ano, a corrente majoritária do partido, APS, elege seu primeiro prefeito em capital do PSOL, na cidade Macapá, contando com a aliança com o PTB e o PPS, apoio declarado da direita (PSDB e DEM) e recebimento de dinheiro da burguesia. Em Belém, outra candidatura da APS confunde o PSOL pragmaticamente com PT. Isso faz com que se fortaleça um polo de resistência à direção majoritária do partido.

Em 2013, começa a tomar forma o Bloco de Esquerda, chapa para o Congresso do PSOL, que conta com a participação do MES, de correntes que outrora eram próximas da APS, como o CSOL e o Enlace, das correntes CST, LSR, GAS, CRS, APS-esquerda, TLS e Primeiro de Maio, além do deputado estadual, Carlos Giannazzi e do ex-candidato à presidência, Plínio de Arruda Sampaio.

Resistência

Leia o manifesto de fundação da Resistência

Resistencia é a fusão do Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista  (# MAIS) e Nova Organização Socialista (NOS), mais a Incorporação do Movimento de Luta dos Trabalhadore (MLT) e do Movimento Luta Pelo Socialismo (M-LPS).


Fontes:

Lista de tendências do Partido Socialismo e Liberdade

Partido Socialismo e Liberdade

Cartografia da esquerda no Brasil